Inadimplência avança no crédito livre, e empréstimos com garantia ganham espaço no Brasil

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Dados do Banco Central mostram aumento dos atrasos entre as famílias; modalidades como empréstimo com veículo em garantia e home equity ganham relevância diante dos juros elevados.

O avanço da inadimplência e o elevado custo do crédito estão levando bancos e consumidores a buscarem operações mais estruturadas e com maior previsibilidade. Nesse cenário, modalidades como o empréstimo com Garantia de Veículo (EGV) e o empréstimo com imóvel em garantia, conhecido como home equity, vêm ganhando relevância no mercado brasileiro.

Dados divulgados pelo Banco Central mostram que a inadimplência do crédito com recursos livres chegou a 6,2% em maio de 2026. Entre as famílias, o indicador alcançou 7,6%, com aumento de 1,2 ponto percentual em 12 meses.

O custo das operações também permanece elevado. A taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas ficou em 62,8% ao ano no mesmo período, enquanto o endividamento das famílias correspondia a 49,8% da renda acumulada em 12 meses.

Em um ambiente de maior seletividade, o crédito com garantia de veículo passa a ser observado como uma alternativa tanto por consumidores que buscam reorganizar suas finanças quanto por instituições interessadas em reduzir o risco das operações.

A Nexus Credi é uma empresa correspondente bancária, sediada em Belo Horizonte e especializada em empréstimos com garantia de veículo e imóvel. A empresa conecta consumidores às instituições financeiras parceiras e auxilia na comparação das condições disponíveis de acordo com o perfil, o patrimônio e a capacidade de pagamento de cada cliente.

O que é crédito com garantia?

O crédito com garantia é uma modalidade na qual um veículo ou imóvel é vinculado ao contrato de empréstimo. Como a instituição financeira conta com um bem que pode ser executado em caso de inadimplência, o risco da operação tende a ser menor em comparação com modalidades sem garantia.

Essa estrutura pode permitir taxas de juros mais competitivas, prazos mais longos e valores maiores. As condições, entretanto, variam conforme a política de crédito de cada instituição, o valor do bem, a renda do cliente, o prazo da operação e a análise individual da proposta.

No empréstimo com veículo em garantia, o automóvel é utilizado como garantia, mas normalmente continua em posse e uso do proprietário durante o contrato. No home equity, um imóvel é vinculado à operação, possibilitando acesso a valores mais elevados e prazos mais extensos.

João Viríssimo, diretor da Nexus Credi e profissional com mais de 15 anos de atuação no mercado de crédito, afirma que as operações com garantia aproximam os interesses das instituições e dos consumidores.

“De um lado, o consumidor procura uma parcela compatível com sua renda, prazo mais longo e custo menor. Do outro, a instituição financeira precisa controlar a inadimplência, o custo de risco e as provisões da carteira. A garantia ajuda a construir uma operação mais equilibrada, mas não substitui a análise responsável da capacidade de pagamento”, afirma Viríssimo.

Bancos ampliam atenção às modalidades garantidas

O interesse pelo segmento já pode ser observado na estratégia de instituições financeiras de grande porte.

No primeiro trimestre de 2026, o banco BV registrou lucro líquido recorrente de R$481 milhões e retorno recorrente sobre o patrimônio de 15,5%. Na apresentação de seus resultados, a instituição destacou a contribuição das modalidades de crédito com garantia para a evolução do negócio, incluindo financiamento de veículos e empréstimo com veículo em garantia.

Para as instituições financeiras, a presença de um bem vinculado ao contrato pode reduzir a perda esperada em situações de inadimplência. Para os consumidores, a modalidade pode representar uma alternativa ao empréstimo pessoal sem garantia, ao cheque especial e ao crédito rotativo do cartão.

A operação, no entanto, não deve ser analisada apenas pelo valor da parcela. Antes da contratação, o cliente precisa comparar o Custo Efetivo Total, a taxa de juros, o prazo, o valor total que será pago e as consequências de um eventual atraso.

Crédito pode ser utilizado para reorganizar dívidas e investir

Segundo a Nexus Credi, parte da procura pelo crédito com garantia vem de consumidores interessados em substituir dívidas mais caras, reorganizar o orçamento ou obter capital sem vender um veículo ou imóvel.

A modalidade também pode ser utilizada por empreendedores que precisam de recursos para capital de giro, expansão da empresa, compra de equipamentos ou investimentos em novos projetos.

A utilização do crédito precisa, entretanto, estar associada a um planejamento financeiro. A redução da parcela mensal não significa necessariamente redução do valor total pago, especialmente quando o prazo do contrato é ampliado.

“O crédito com garantia deve ser entendido como um instrumento financeiro, e não apenas como uma maneira imediata de obter dinheiro. Ele pode fazer sentido para substituir uma dívida mais cara ou financiar uma atividade produtiva, desde que o cliente conheça as condições e tenha capacidade de manter os pagamentos”, explica João Viríssimo.

Garantia exige atenção aos riscos

Apesar das possíveis vantagens, a contratação envolve riscos. Durante a operação, o veículo ou imóvel permanece vinculado ao contrato. Em caso de inadimplência, a instituição credora poderá iniciar os procedimentos para execução da garantia, conforme as condições contratuais e a legislação aplicável.

Por esse motivo, especialistas recomendam que o consumidor não comprometa uma parte excessiva da renda e mantenha uma reserva para situações imprevistas.

A empresa ou instituição intermediadora também não pode assegurar aprovação, taxa específica ou valor determinado antes da análise. A decisão final cabe à instituição financeira responsável pela concessão do crédito.

Mercado tende a ficar mais segmentado

A perspectiva é que bancos, financeiras, fundos e plataformas especializadas continuem desenvolvendo soluções de crédito lastreadas em veículos, imóveis e outros ativos.

Isso não significa o desaparecimento do crédito sem garantia, mas indica um mercado mais segmentado. Consumidores com diferentes perfis de risco, renda e patrimônio poderão receber propostas cada vez mais personalizadas.

Para a Nexus Credi, o crescimento do setor deverá ser acompanhado por maior investimento em tecnologia, análise de risco e educação financeira.

“À medida que o mercado amadurece, a tendência é que mais consumidores compreendam que um patrimônio não precisa necessariamente ser vendido para gerar recursos. Ele pode ser utilizado de maneira estratégica, desde que a operação seja transparente, responsável e adequada à realidade financeira do cliente”, conclui João Viríssimo.

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