O ativo invisível: por que a saúde emocional das equipes começa a pesar no valor das empresas

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Pressionado por nova regulação e por evidências de que cultura organizacional move resultado, o mercado passa a olhar para o capital humano como fator de risco e de valor. Para José Roberto Marques, fundador do IBC, é o nascimento de uma nova métrica: o Valuation Humano

Toda empresa tem uma parte do seu valor que não aparece no balanço. Marca, reputação, conhecimento acumulado e a qualidade das relações internas raramente cabem nas planilhas, mas sustentam ou corroem o desempenho ao longo do tempo. Com a economia dos intangíveis se expandindo, essa lacuna ficou difícil de ignorar. E um componente específico desse valor oculto começa a ganhar nome e tração no debate corporativo: o estado emocional das pessoas que tocam a operação.

José Roberto Marques, fundador do Instituto Brasileiro de Coaching, propõe nomear esse componente: Valuation Humano. A ideia parte de uma premissa simples e desconfortável para conselhos e investidores: o valor de uma empresa não está apenas no que ela fatura ou possui, mas também na maturidade emocional, na qualidade das decisões e na capacidade de cooperação de quem sustenta o negócio. Capital humano, por essa lógica, deixa de ser linha de custo para virar vetor de valor, gerando, preservando ou destruindo conforme a maturidade da equipe.

O que dizem os números

Os números sustentam a ideia. Pesquisas da McKinsey indicam que organizações consideradas saudáveis entregam, no longo prazo, três vezes mais retorno total ao acionista do que as não saudáveis, independentemente do setor. A consultoria registra ainda aumento de 18% no EBITDA em um ano entre companhias que melhoraram sua saúde organizacional. Na ponta oposta, a Gallup calcula que o engajamento global caiu para 20% em 2025, com perda estimada de quase US$10 trilhões em produtividade para a economia global no período.

Esses dados ajudam a deslocar a conversa do campo abstrato do bem-estar para o terreno concreto da criação de valor. Turnover elevado, burnout, absenteísmo e liderança desorganizada deixam de ser apenas problemas de clima e passam a ser lidos como fatores que comprometem execução, elevam custo de reposição e ampliam risco operacional e reputacional.

A regulação muda o jogo

O debate ganhou urgência porque deixou de ser voluntário. Desde 26 de maio de 2026, a NR-1 (Norma Regulamentadora 1) começou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Metas inalcançáveis, sobrecarga, assédio moral e ausência de apoio da liderança passaram a integrar o inventário de riscos das empresas, ao lado de perigos físicos e ergonômicos. O que era pauta de cultura passa a tocar compliance, governança e prevenção de passivos.

“Hoje o mercado ainda discute pessoas como despesa e saúde emocional como benefício. O Valuation Humano propõe outra leitura: equipes desequilibradas geram risco, e equipes maduras geram valor. Esse diferencial precisa entrar na lógica de avaliação das empresas”, afirma José Roberto Marques.

As normas de reporte também mudaram. Em agosto de 2025, a ISO (Organização Internacional para Padronização) publicou a segunda edição da ISO 30414, voltada à divulgação de capital humano, com requisitos auditáveis e uma base de 14 métricas obrigatórias. O capital humano, que era terreno difuso, ganhou espaço mensurável e passível de auditoria.

Uma trajetória de quatro décadas

A formulação do conceito se apoia em mais de quatro décadas de atuação de José Roberto Marques no desenvolvimento humano. Sua operação alcançou escala rara no setor, com mais de 6 milhões de pessoas treinadas, presença em mais de 40 países, mais de 140 mil coaches formados e 110 livros publicados que somam milhares de exemplares vendidos. O Valuation Humano nasceu dessa observação contínua sobre comportamento e tomada de decisão em ambientes corporativos, não de uma teoria importada.

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