Em celebração à sua trajetória, artista Cesário Candhí se divide na autoria e elenco de três espetáculos simultâneos no Rio

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O ano de 2026 tem sido de ritmo intenso e celebração para o ator e dramaturgo Cesário Candhí. Retrato do trabalhador da cultura que não para, o artista está atualmente em cartaz com três espetáculos simultâneos que circulam pelas arenas e palcos do Sesc no Rio de Janeiro. Como se o desafio de dar vida a múltiplos personagens em um mesmo fim de semana não bastasse, Cesário também assina como dramaturgo de duas dessas produções.

A maratona teatral do ator impressiona pela pluralidade de gêneros. No espetáculo infantil “O Patinho Feio”, realizado pela Trupe investigativa Arroto Cênico de Nova Iguaçu, além de dividir a autoria da dramaturgia, ele se desdobra no palco interpretando seis personagens diferentes para falar sobre aceitação e o respeito às diferenças. Já em “Jotinha, o menino que brincava com as palavras”, também produção da Arroto Cênico, ele assume a responsabilidade em dose dupla como protagonista e dramaturgo. A obra, baseada na figura do cordelista Seu Jota Rodrigues, traz uma forte identificação pessoal para o ator, ao retratar o nordestino que deixa sua terra em busca de uma vida melhor – trajetória idêntica à da própria família de Cesário. A tríade nos palcos se completa com “Era uma vez um tirano”, peça realizada pelo Instituto Cultural Cerne de São João de Meriti, e que debate sonho e liberdade para o público infantojuvenil, na qual vive o instigante ‘Lambe Botas‘, o puxa-saco oficial do tirano que se humaniza ao longo da trama.

Com a agenda de apresentações de circulação garantida em todos os finais de semana até novembro deste ano, o artista revela que o momento atual exige um verdadeiro malabarismo físico e mental. “É algo inédito para mim e ao mesmo tempo desafiador. Mesmo com 40 anos de trajetória dedicada ao teatro, há fins de semana em que no sábado apresento um espetáculo e no domingo outro. É cansativo, mas prazeroso, afinal, é o meu sonho sendo realizado, que é trabalhar cada vez mais no que me move: a arte de interpretar e de contar histórias”, celebra o ator.

Prestes a completar 60 anos, Candhí brinca com o vigor necessário para a maratona. “Sou um jovem de mente, mas o corpo não sabe disso”, diverte-se. Para conseguir mudar de chave tão rápido entre universos tão distintos em um mesmo mês, ele explica que o processo é quase mágico: “Parece que meu cérebro tem várias caixinhas onde estão todos os personagens. Apresento num dia, o personagem vai dormir na caixinha e, no outro, a outra caixinha abre e o acordo para o próximo espetáculo. Parece maluquice, mas como bem dizia o personagem Chicó, de O Auto da Compadecida: ‘não sei, só sei que é assim’.”

Da Baixada Fluminense para o Centro do Rio

Em julho, o artista inicia uma temporada de um mês no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), na Cinelândia, com o espetáculo “Era uma vez um tirano”. A peça, que estreou em 2018 e já acumulou prêmios e indicações importantes em temporadas passadas pelo Rio de Janeiro e São Paulo, retorna ao tradicional espaço da capital.

Para Cesário, o retorno tem um significado político e social profundo. “É sempre muito importante que coletivos da Baixada Fluminense ocupem espaços fora da nossa região e mostrem o que andamos produzindo por aqui. É um espetáculo que encanta, emociona e faz refletir”, destaca.

Do canteiro de obras ao destaque nas telas

Olhar para a agenda lotada traz a Cesário um sentimento de profunda felicidade e a certeza de estar honrando seu passado. Nascido no interior da Paraíba, ele começou a fazer teatro na infância sem nem saber direito o que era a arte. Mais tarde, já no Rio, trabalhou por dez anos como peão de obra, utilizando o salário da construção civil para pagar seus estudos e se formar como ator, sem nunca abandonar o sonho.

Essa dedicação tem rendido frutos também no audiovisual, terreno onde a carreira de Cesário tem sido avassaladora nos últimos três anos. Recentemente, ele finalizou as gravações de “Sentar à Mesa”, seu sexto curta-metragem desde o ano passado.

O público também poderá conferir o talento do ator em grandes produções do streaming e da televisão. No dia 7 de julho, ele faz uma participação especial no terceiro episódio “Sala Comercial” da aguardada série “Pablo e Luisão“, criada por Paulo Vieira para o Globoplay e que estreia na TV aberta, contracenando diretamente com a atriz Dira Paes. Além disso, o artista também participou da novela “Vale Tudo” e projeta para o segundo semestre a estreia da quinta temporada da série “Arcanjo Renegado“, no Globoplay, gravada no ano passado.

“Os últimos três anos têm sido muito intensos, parece até que foi uma preparação. Foi exatamente isso o que eu pedi ao universo e, com muito trabalho, chegou”, conclui o artista.

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