O corretor de imóveis e especialista em lançamentos e investimentos imobiliários Clélio Cabral avalia como o avanço do turismo influencia a demanda por propriedades em João Pessoa e no litoral paraibano
A expansão do turismo tem ampliado a movimentação econômica de João Pessoa e criado reflexos também no mercado imobiliário. No primeiro semestre de 2026, a capital paraibana recebeu 825.606 turistas, contra 790.495 no mesmo período de 2025, crescimento de 4,44%. O visitante também permanece, em média, entre sete e oito dias na cidade, segundo levantamento divulgado com base em dados do turismo paraibano.
Nesse cenário, o corretor de imóveis e especialista em lançamentos e investimentos imobiliários Clélio Cabral aponta que a proximidade da alta temporada costuma aumentar a atenção sobre imóveis destinados tanto à moradia quanto à segunda residência e à locação. “Quando uma cidade amplia seu fluxo turístico, naturalmente cresce o interesse por imóveis que possam atender diferentes finalidades. O investidor passa a observar não apenas a valorização do patrimônio, mas também a possibilidade de geração de renda com locação”, afirma.
O desempenho do setor turístico reforça esse movimento. Durante a temporada de 2025, João Pessoa chegou a registrar mais de 94% de ocupação hoteleira, enquanto dados divulgados pela Prefeitura apontaram expectativa de cerca de 90% de ocupação média ao longo de janeiro de 2026.
O mercado imobiliário da capital também apresenta valorização significativa. De acordo com o FipeZAP, o preço médio do metro quadrado residencial em João Pessoa chegou a R$ 8.341 em julho de 2026, com alta de 9,02% em 12 meses. Em bairros próximos ao litoral, os valores são ainda maiores, como em Cabo Branco, que registrou R$ 12.622 por metro quadrado em maio.
Para Clelio Cabral, a demanda relacionada ao turismo, porém, não deve ser interpretada como garantia de rentabilidade. “É preciso entender qual é o perfil do imóvel e da região. Um apartamento pode ter uma boa perspectiva para locação por temporada, mas isso depende de localização, condomínio, estrutura, demanda ao longo do ano e custos envolvidos na operação”, explica.
Além da temporada de verão, a consolidação de João Pessoa como destino turístico pode favorecer uma demanda menos concentrada em determinados meses. Para o especialista, esse fator aumenta a relevância de uma análise de longo prazo. “O investidor que olha apenas para a alta temporada pode deixar de enxergar oportunidades ou riscos. O mais importante é analisar a ocupação da região durante o ano inteiro e entender como aquele imóvel se comporta dentro do mercado local”, conclui Clelio Cabral.
